Enquanto é indiscutível que as drogas são substâncias perigosas, o debate sobre a sua legalização deve envolver muito mais do que isto. Será que a sua criminalização realmente diminui o consumo, ou pode ser que ela simplesmente gera violência? Adicionalmente, de quem é a responsabilidade de regular o uso de substâncias, do governo ou do indivíduo?

Um argumento muito comum contra a descriminação é o de que as drogas são responsáveis por milhares de mortes todo ano. Se isto fosse razão para a sociedade proibir o uso de um produto, o cigarro e o álcool, que matam em quantidades notavelmente mais elevadas, também deveriam ser banidos.

Além disso, é importante notar que a proibição não para o consumo – ela simplesmente o torna violento. Quando gangues de traficantes e não empresas são as responsáveis pelo comércio de um produto, as armas são introduzidas e espectadores inocentes são feridos. Qual foi a última vez que funcionários da Skol saquearam fábricas da Brahma e assassinaram seus empregados?

A legalização, adicionalmente, é a posição política mais ética, pois é a única que dá ao indivíduo a escolha de como irá usar o seu corpo. Hoje a nossa sociedade reconhece o direito do homem de decidir o que come e que tatuagens terá. Da mesma forma, ela deve reconhecer a liberdade individual do homem de escolher que substâncias ele usa e ingere.

Para a possibilidade de um Brasil melhor, portanto, as drogas devem ser legalizadas.

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